Diego Armando Maradona, um deus irreverente

O argentino considerado o segundo ou terceiro maior jogador de todos os tempos, ou até o primeiro, deixa este mundo, mas sua irreverência dentro de campo é única e eterna.
Diego Maradona - 1986
© GettyImages / FIFA

Aos 60 anos, o mundo viu partir um craque, que para alguns é maior até do que o Rei Pelé. Por conta disso, o Sambafoot, que tradicionalmente fala sobre o futebol brasileiro, fará uma homenagem ao craque que revolucionou o mundo da bola em todo o mundo, Diego Armando Maradona.

Para o futebol, o dia 25 de novembro é o mais triste. Perdemos um rival, um icônico, um deus, que acima de tudo foi humano.

É claro que suas polêmicas extra-campo nos fazem questionar como seria se o jogador tivesse tido uma carreira sem ser interrompida pelo dopping.

Antes de Diego Maradona chegar, o futebol massivamente era visto pelo rádio. Foi na Copa do Mundo de 70, que pela primeira vez o mundo viu o futebol a cores a Seleção Brasileira. Mas passou uma década que futebol teve craques, mas ninguém como o hermanito.

Alguém considerado um deus viraria apenas na década de 80, até para os brasileiros considerados rivais, a admiração é enorme. Maradona é inesquecível, seja o personagem, como o o jogador trataram a bola melhor do que ninguém. E por isso, mostraremos o motivo dele ser tão inesquecível para o mundo.

O início e o Barcelona

Revelado pelo Argentino Júniors, chamou atenção de uma das maiores equipes do país, o Boca Júniors, lá ficou apenas uma temporada. Em 4 de junho de 1982 migrou-se para o Barcelona por 7.2 milhões de euros, o extra-campo rendeu mais, alto. Problemas com os colegas de futebol o tiraram o brilho do que poderia ser uma grande carreira em um dos maiores times do mundo.

Mas, um lance, chama a atenção de madrileños e catalães. A final da Copa de La Liga (hoje a Copa del Rey), foi maracante para Maradona. O jogo estava 2 a 2 na partida da ida, quando em pleno Santiago Bernabéu, Lobo Carrasco recebeu no meio da rua e resolveu avançar e tocou para Maradona, que estava na direita, o baixinho dominou com a canhota e correu para a grande area.

Ao ver o goleiro madridista, Maradona enganou o goleiro com seu movimento de corpo, deslocou o arqueiro da jogada e ainda flexionou com a direita para orientar-se e desacelera esperando o defensor rival, para dribá-lo e tocar pro fundo das redes.

Nesse lance seus dados foram mágicos: precisou de oito toques na bola e uma distância de 43 metros para fazer magia no campo.

Colocando Napoli no mapa

Sua passagem em Barcelona durou pouco, foi contratado pelo Napoli em 84, disputando 134 jogos e 81 gols, sua passagem foi interrompida apenas em 91.

O jornalista David Golbatt escreveu em sua coluna que na época que Maradona foi anunciado, os napolitanos tinham certeza que o “salvador tinha chegado”.

No Napoli, Maradona atingiu o auge de sua carreira profissional: ele logo herdou a braçadeira dpi veterano zagueiro Giuseppe Bruscolotti e e rapidamente se tornou uma estrela adorada entre os fãs do clube.

Transformou um time b da Itália, em uma das maiores potências europeias.

Maradona jogou pelo Napoli em um período em que as tensões norte-sul na Itália estavam no auge devido a uma variedade de problemas, principalmente as diferenças econômicas entre os dois.

Com ele, o Napoli ganhou seu primeiro a Serie de 86/87.

Em seu tempo jogou com Bruno Giordano e o maestro brasileiro Careca, em um trio magnífico apelidado de “Ma-Gi-Ca”.

O Napoli conquistaria seu segundo título da liga em 89/90. O clube venceu a Coppa Itália em 87, a Copa Uefa em 89. Embora Maradona tivesse sucesso em campo durante sua estada na Itália, seus problemas pessoais aumentaram. Seu vício em cocaína continuou, e ele recebeu US $ 70.000 em multas de seu clube por faltar a jogos e treinos, aparentemente por causa do “estresse”.

Mesmo com todas essas coisas, ao sair do clube, a camisa 10 foi aposentada.

86 e o brilho de uma Argentina encantadora

É inegável seu brilho em 86, se em 82 a Argentina foi criticado por não chamar o baixinho.

Mas 86 o reservou, nas quartas de final, o brilho eterno o colocou diante a Inglaterra a mesma nação que havia humilhado a Argentina na Guerra das Malvinas.

Se na guerra a nação foi derrotada, ficou para o campo a Argentina recuperar sua estima. O jogador marcou dois gols, o primeiro ‘La Mano de Dios’ e o segundo considerado o gol do século, ao marcar em um arranque do meio de campo.

O resto é história. Por mais que a nação tenha tinho Lionel Messi, Maradona é único e sempre será, seja por seus dribles e sua inteligência mental surreal quando tinha a pelota no pé. Ninguém nunca esquece.

Talvez o Papa Francisco tenha razão Deus é brasileiro e o Papa argentino. Talvez no caso futebolístico o Rei seja brasuca, e o deus hermano.

O que eles faziam com a bola pouca gente fez e talvez nunca fará.

Diego pode não ter uma carreira tão longa quanto Messi, mas o que fez em um curto período de tempo é inigualável.

O craque que fez nas semifinais de 1990 um duelo entre argentinos e italianos, fazem uma cidade italiana renegar suas raízes e idolatrar o ídolo que tinha dado tanto por sua cidade nos últimos anos.

Maradona trouxe a vitória de Nápoles frente ao preconceito dos moradores do norte, que até hoje se referem a parte do sul de seu próprio país como se fosse outra nação.

Ao transmitir o amor por Napóli ao napolitano, os cidadãos em San Paolo regeram la squadra para abraçar a nação de seu herói. Alguém que fez mais por Napoli do que a própria itália.

Maradona ressignificou a definição de futebol. Fique em paz e onde quer que esteja, com a bola no pé, a sua melhor amiga da vida.