Tecnologia no esporte: Com novas possibilidades de receita, Galo lidera transformação digital no futebol brasileiro

Termos como fan token, NFT e criptomoedas eram pouco conhecidos pelos amantes do futebol há muito pouco tempo.

Termos como fan token, NFT e criptomoedas eram pouco conhecidos pelos amantes do futebol há muito pouco tempo. Agora, eles têm sido um dos principais tipos de investimentos de clubes do Brasil e do mundo, e já fazem sucesso entre os torcedores.

Tudo começou no futebol europeu, quando o Manchester City, da Inglaterra, o Borussia Dortmund, da Alemanha, e o Milan, da Itália, inovaram ao investir no mundo digital com a venda de fan tokens – um tipo de criptomoeda, como a famosa Bitcoin. Desde então, importantes clubes brasileiros, como o pioneiro Atlético-MG, aderiram à “revolução” – além de uma nova forma de engajar os torcedores, também encontraram no mundo digital novas possibilidades de receita.

O Galo é um dos times mais badalados da atual temporada no futebol brasileiro. O clube, que já conquistou o Campeonato Mineiro esse ano, foi semifinalista da Libertadores, é líder disparado do Campeonato Brasileiro (com mais de 90% de chances de ser campeão da competição) e está muito perto de disputar a decisão da Copa do Brasil, já que venceu o primeiro jogo da semifinal contra o Fortaleza por 4 a 0.

Para conquistar esses resultados em campo, é necessário ter um bom time, o que custa caro. E para manter um elenco poderoso – que conta com nomes de peso, como os jogadores Hulk e Diego Costa – era necessária uma estratégia para gerar mais receita.

O plano do departamento de inovação do Atlético-MG, comandado por Felipe Ribbe, pavimentou o caminho para o clube manter uma equipe de alto nível a médio e longo prazo, e apostou em três (3) frentes: fan tokens, leilões de ativos digitais e desenvolvimento próprio de plataforma de publicidade. De acordo com dados do dirigente, o clube já gerou mais de R$6 milhões esse ano apenas com essas ações.

“Ao longo dos próximos anos, as fontes de receita tradicionais ainda serão as principais de clubes não só no Brasil, mas pelo mundo. Mas a tendência é essa balança ir melhorando. A gente costuma dizer que inovação é maratona, não 100 metros rasos. A gente fala dos NFTs. Estamos ganhando dinheiro? Sim. É relevante? Se comparar com patrocínio, direito de transmissão, não é relevante. Mas sou muito confiante de que em três ou cinco anos será uma fonte importantíssima de receita”, comentou Ribbe em entrevista recente.

Cards colecionáveis

A primeira nova fonte de renda encontrada pelo clube mineiro foram os NFTs, no mês de maio. Os NFTs (em inglês, non-fungible token) nada mais são que um token não fungível – um certificado digital que define a originalidade e a exclusividade de um bem digital. O que torna o produto, mesmo que digital, uma obra única.

Esses itens originais certificados pelo clube são feitos em forma de cards (cartas) colecionáveis, e leiloadas no site da Sorare – empresa responsável por fazer jogos de futebol de fantasia. Lá, uma pessoa compra as cartas de seus jogadores favoritos e monta as suas equipes para competir com os outros.

O preço desses itens, então, varia de acordo com os leilões. As cartas mais caras do Galo, até o momento, foram as do lateral Guilherme Arana (R$90 mil) e Diego Costa (R$70 mil). O clube tem direito a um percentual de licenciamento de marca e, de acordo com o Atlético-MG, já foi possível movimentar mais de R$3 milhões na plataforma.

Fan tokens

Os fan tokens são um ativo digital protegido por uma criptografia que, assim como toda as outras moedas digitais, podem ser negociados na bolsa e sofrer oscilações de valor. A maior plataforma de fan tokens do mundo é a Socios.com. Os torcedores que adquirirem a moeda dos clubes ganham acesso a serviços exclusivos de interação com a sua instituição esportiva favorita.

Em agosto, o Atlético-MG foi o primeiro clube brasileiro a fechar parceria com a Socios.com e oferecer os seus ativos digitais – chamados de “$GALO” – aos torcedores. A ação foi um sucesso: o clube vendeu, em poucas horas, todas as 850 mil unidades de tokens disponíveis e o saldo – dividido com a plataforma – foi de quase R$10 milhões em movimentações.

Algumas das ações que o clube criou para os compradores dos criptoativos foram votações para escolher o novo modelo de braçadeira de capitão que o time irá usar e o nome do novo ônibus oficial da equipe de futebol masculino. Além disso, como campanha para dar visibilidade ao futebol feminino, os detentores do token puderam sugerir a escalação do time titular para a 6ª rodada do Campeonato Mineiro desse ano.

Galo Ads

Também em agosto, o Atlético-MG lançou o Galo Ads: uma tecnologia baseada no Google Ads e Facebook Ads, se tornando, assim, o primeiro clube do futebol brasileiro a utilizar sua base de dados para gerar negócios através de uma plataforma própria de anúncios. A tecnologia permite a veiculação de campanhas publicitárias nos canais oficiais do clube; site, perfis das redes sociais, newsletters e aplicativo de smartphones.

De acordo com o clube, não importa o tamanho da empresa que queira ser anunciante digital na plataforma. O processo é simples: basta entrar no site “ads.atletico.com.br”, escolher a estratégia de campanha digital, selecionar o formato e em quais canais oficiais do clube o anunciante deseja estampar sua marca, e definir o quanto pretende investir na campanha.

De acordo com a diretoria do clube alvinegro, o Galo Ads já recebeu mais de R$1 milhão em menos de dois (2) meses desde a sua criação. O valor não é significativo perto da receita total do time, mas o departamento responsável espera aumentar expressivamente a arrecadação nos próximos anos.

Adesão de novas tecnologias por outros clubes de futebol do Brasil

Após as inovações do Galo, outros clubes brasileiros também entraram no mundo digital em busca de novas receitas. O Corinthians, Flamengo e São Paulo fecharam parcerias com a Socios.com para a comercialização de fan tokens. Botafogo, Coritiba, Cruzeiro, Santos e Vasco possuem outros tipos de tokens e em parceria com outras empresas.

Os NFTs também já foram ”descobertos” pelo Ceará, Corinthians e Cuiabá, que anunciaram recentemente acordo com a plataforma Sorare para a venda de seus cards colecionáveis. Uma plataforma única de anúncios, como o Galo Ads, ainda é exclusividade do Atlético-MG no mercado brasileiro.

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