Sudeste reina absoluto no futebol brasileiro

Historicamente, nos acostumamos a dizer que o Brasil tinha 12 “times grandes”: os quatro de São Paulo, o quarteto do Rio de Janeiro, dois de Minas Gerais e outros dois do Rio Grande do Sul.

Hoje, esse panorama mudou, com alguns desses ex-gigantes atravessando períodos conturbados e outros clubes aparecendo muito melhor do que essa dúzia de outrora intocáveis.

Mesmo assim, o que não muda é o predomínio da região Sudeste na conquista de títulos do futebol brasileiro. Região mais rica do país, essa diferença se destaca no esporte mais popular do Brasil.

E essa diferença parece não ter uma solução a curto prazo. Com as maiores torcidas, os times do Sudeste recebem mais verbas de patrocínio e mais exposição na mídia. Com a maioria das equipes desta região na elite do futebol nacional, eles viajam menos durante a temporada, tendo menos desgaste para os jogadores.

Apresentamos números em títulos que mostram toda essa superioridade. Atrás dos clubes do Sudeste vêm os times da região Sul. As equipes do Nordeste sempre estão presentes na divisão da elite do Brasileirão, mas muitas vezes ficam como “iô-iôs”, alternando entre diferentes divisões. O Centro-Oeste está representado na Série A, nos últimos anos, pelo Atlético-GO, enquanto que o último time do Norte do Brasil a estar entre os melhores foi o Paysandu. Em 2005, ele terminou como lanterna entre os 22 participantes da competição.

Série A: domínio absoluto do Sudeste

Nos últimos 10 anos, a média de clubes da região Sudeste do país no Brasileirão da Série A foi de 10,6. Isso significa que mais da metade dos participantes do campeonato são de três estados (SP, RJ e MG), já que o Espírito Santo só possui representantes na quarta divisão. A região Sul tem, na média, 5,5 equipes na disputa, o Nordeste aparece com média de 3 times e o Centro-Oeste, com 0,9, com Atlético-GO e Goiás se alternando.

Mas o que impressiona não é apenas a polarização dos participantes do Brasileirão, mas a distribuição dos títulos. A força do Sudeste é tanta que a última vez que uma time de outra região venceu o campeonato foi em 2001, quando o então “Atlético-PR” (que mudou seu nome para Athletico em 2018) bateu o Grêmio na final. Antes disso, foi o Bahia, que bateu o Internacional em 1988.

No total, já foram disputados 50 Campeonatos Brasileiros com esse nome (outros torneios foram reconhecidos como competições nacionais posteriormente, mas vamos nos ater ao Brasileirão desde 1971). Em apenas oito oportunidades o vencedor não foi do Sudeste. Em sete oportunidades foram times do Sul e tem o título do Bahia em 1988. Em 1987, o Sport venceu o Módulo Amarelo, a segunda divisão daquele ano, e depois foi condecorado com o título pela CBF.

Nos últimos cinco anos, em quatro deles houve um time da Região Sul no Top-4, e em apenas uma oportunidade uma equipe do Nordeste ficou na metade de cima da tabela. Foi o Fortaleza, 9º colocado em 2019.

Representatividade por região da Série A do Brasileirão – últimos 5 anos

2020 2019 2018 2017 2016
Sudeste 10 10 11 11 11
Sul 4 5 5 5 6
Nordeste 4 4 4 3 3
Centro-Oeste 2 1 0 1 0
Norte 0 0 0 0 0

Série B: mais democrática, mas nem tanto

A Segundona é lugar cativo para muitos times enormes do Nordeste que não conseguem, quando eventualmente sobem à Série A, ficar muito tempo por lá. Exemplos são a dupla de Alagoas CSA e CRB, Náutico e Vitória. Mas, novamente, a maioria dos times e dos títulos ficam com clubes do Sudeste.

Até hoje, a Segunda Divisão foi disputada em 40 oportunidades. Equipes do Sudeste levantaram o troféu 18 vezes. Times do Sul foram campeões 11 vezes, em 5 edições agremiações do Centro-Oeste ficaram com o título e Norte e Nordeste têm 3 troféus cada.

Nos últimos 10 anos, em metade das oportunidades um clube do Sudeste venceu.

Representatividade por região da Série B do Brasileirão – últimos 5 anos

2020 2019 2018 2017 2016
Sudeste 6 8 5 4 4
Sul 7 6 7 7 6
Nordeste 6 3 4 5 5
Centro-Oeste 1 3 3 3 4
Norte 0 0 1 1 1

Séries C e D: Números mais equilibrados

Quando chegamos às últimas divisões do futebol nacional, podemos ver uma maior representatividade das regiões do país. Depois de idas e vindas, a Série C começou a ser disputada regularmente em 1994 e hoje já chegou a 30 edições. Já a Quarta Divisão existe oficialmente desde 2008.

A Terceirona ainda tem mais times do Sudeste na disputa e, nos últimos 10 anos, teve 3 campeões (mesmo número dos times nordestinos), mas a Série D é, realmente, a mais democrática. Entre os 64 clubes que jogam a fase de grupos, temos 21 clubes nordestinos, 14 do Sudeste, 12 da região Norte, 9 do Sul e 8 do Centro-Oeste do Brasil. Nos títulos, a maioria ainda fica com o Sudeste (5 campeões em 12 edições).

Copa do Brasil, Copa Verde e Copa do Nordeste

Como era de se esperar, a Copa do Brasil é um reflexo do futebol brasileiro atual. Mesmo com formato mata-mata, que proporciona algumas surpresas, 22 clubes do Sudeste foram campeões em 32 edições. O Sul aparece com 9 títulos e o Nordeste tem 1 troféu.

Uma boa solução para manter a esperança dos torcedores em troféus foi a criação de copas regionais. E duas delas “pegaram”, enquanto outras desapareceram. A Copa do Nordeste, apelidada de Lampions League, é um sucesso absoluto, com ótimas disputas e muita emoção.

A Copa Verde não foi tão avassaladora, mas aos poucos se estabeleceu como campeonato que traz esperanças de títulos nacionais para clubes do Norte, Centro-Oeste e do Espírito Santo, “patinho feio” do Sudeste.

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