Polêmicas do VAR no futebol brasileiro: Afinal, o árbitro de vídeo ajuda ou atrapalha?

O árbitro assistente de vídeo (VAR, do inglês Video Assistant Referee) é um árbitro assistente de futebol que utiliza imagens de vídeo para ajudar o juiz principal.

O árbitro assistente de vídeo (VAR, do inglês Video Assistant Referee) é um árbitro assistente de futebol que utiliza imagens de vídeo para ajudar o juiz principal – de campo – em relação a lances importantes, como marcação de gol, pênalti e cartão vermelho. Depois de fazer sua análise, o VAR passa todas as informações ao companheiro para tomar a melhor decisão possível dentro das quatro linhas.

A tecnologia chegou no Brasil em 2017 e, desde então, convive com elogios e críticas. Defensores argumentam que os erros serão cada vez menores dentro de campo, dando um senso maior de justiça ao esporte. Mas críticos afirmam que o árbitro de vídeo tirou a emoção do futebol – pois, muitas vezes, o torcedor nem comemora o gol, o momento máximo de uma partida, já que aguarda primeiro a validação (ou não validação) da jogada pelo VAR.

O fato é que o VAR veio com o objetivo de ajudar a arbitragem e tem atingido essa meta no Brasileirão. Lances fáceis de marcações de penalidades, por exemplo, estão sendo revistos e corrigidos em quase todas as rodadas. Mas isso não quer dizer que as polêmicas terminaram. Em praticamente todas as competições nacionais, reclamações sobre a tecnologia vêm constantemente à tona.

“‘VAR estava comendo pipoca”, disse o técnico do Palmeiras, Abel Ferreira, após partida contra o América-MG pela Série A. “Sinceramente, o VAR veio para dar justiça, mas eu não sei quem fica no VAR para determinar um lance desse”

, comentou o técnico Gilson Kleina, da Ponte Preta, em partida válida pela Série B contra o CSA. “‘Faltam critérios e coerência no uso do VAR”, postou a diretoria do Campinense nas redes sociais, após partida contra o Atlético-CE na Série D.

As reclamações na Série A do Brasileirão tem sido tão frequentes que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu liberar o áudio dos jogos a partir da 31a rodada do campeonato, para que as equipes saibam como foi a comunicação entre o árbitro de campo e o de vídeo após as partidas. O objetivo é tentar diminuir as polêmicas e dar um basta nas insinuações de falta de honestidade dos profissionais.

A história do VAR

As regras do futebol são determinadas pela International Football Association (IFAB). A entidade aprovou a utilização do árbitro de vídeo após testes realizados em junho de 2016. Dois (2) meses depois, a tecnologia já era aplicada em campo, em partidas válidas pela USL Championship, a segunda divisão dos Estados Unidos.

A primeira competição de cunho internacional a receber a tecnologia foi o Mundial de Clubes da FIFA de 2016. As primeiras grandes ligas europeias começaram a adotar o VAR na temporada 2017-2018, com adesão em campeonatos da Alemanha, Itália e Portugal. A Copa do Mundo de 2018 ficou na história por ser a primeira edição do mundial a utilizar o sistema.

No Brasil, a tecnologia foi usada pela primeira vez no Campeonato Pernambucano de 2017, mas foi apenas em 2019 que ela se espalhou – ao ser introduzida no Campeonato Mineiro, Paulista, Copa do Brasil e Brasileirão daquela temporada.

O primeiro grande empecilho da adoção do VAR no Brasil foi referente aos valores do custo de uso da tecnologia por cada partida. Em 2019, a CBF disse que o preço pago a cada jogo para que o sistema fosse operacionalizado no Brasileirão era de cerca de R$50 mil, em média – valor muito mais alto do que na liga espanhola, por exemplo, que era de R$30 mil. Além disso, a instituição máxima do futebol brasileiro queria que os clubes arcassem com todos os gastos referentes ao árbitro assistente de vídeo, e eles, claro, se negaram.

Após toda a confusão, ficou resolvido que a entidade pagaria os custos tecnológicos da operação, e os clubes ficariam com a responsabilidade de pagar o salário da equipe de arbitragem em cada partida. Estima-se que a CBF gaste cerca de R$12 milhões por cada edição do Campeonato Brasileiro da Série A com o uso do VAR.

Polêmicas recentes no Brasil

O VAR já resolveu muitos lances polêmicos do futebol brasileiro, mas os erros humanos ainda continuam. Algumas situações de campo são resolvidas por interpretação individual de cada árbitro e geram discussões intermináveis após as partidas.

Os lances de impedimento, por exemplo, demandam que o árbitro de vídeo trace uma linha para ver se o atacante estava à frente do defensor na jogada e, muitas vezes, a linha foi traçada de maneira incorreta pelo operador. Em outras ocasiões, também, as câmeras não foram instaladas da melhor maneira nos estádios. Relembre alguns casos polêmicos nos últimos anos envolvendo o VAR no Brasileirão:

  • Ponto cego: a CBF admitiu haver um ponto cego do VAR na partida entre Palmeiras e Bragantino no Brasileirão de 2020. Um gol em posição de impedimento foi validado para o Verdão.
  • Imagem inconclusiva: também no Brasileirão de 2020, em partida do São Paulo contra o Goiás, um gol do time paulista foi validado sem ninguém saber, de fato, se a bola realmente ultrapassou a linha do gol ou não. O VAR disse não ter imagens conclusivas e validou o gol. Ficou a polêmica.
  • Impedimento: outra vez no Brasileirão passado, em partida do Atlético-MG contra o São Paulo, uma linha de impedimento mal traçada pelo árbitro de vídeo anulou um gol legal do Tricolor. Segundo a CBF, ocorreu um “equívoco humano” no caso.
  • Interpretação errada da regra: no Brasileirão de 2021, o Flamengo fez um gol contra o Cuiabá que foi anulado erroneamente pelo VAR e árbitro de campo. Eles enxergaram impedimento no gol carioca, após um jogador vir de trás do zagueiro e roubar a bola para outro companheiro. A questão é que a nova regra diz que, após o zagueiro tocar na bola, uma nova jogada se inicia, anulando qualquer impedimento, mesmo que o atacante esteja irregular no início da jogada.

Ao torcedor brasileiro, resta aguardar que o recurso eletrônico evolua nos próximos jogos e temporadas, e que os erros recentes sejam apenas parte do processo de amadurecimento da implementação da tecnologia nos campos do Brasil e do mundo.

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