O bom filho a casa torna: Ceni volta ao São Paulo e impulsiona dança das cadeiras do futebol brasileiro

Após quatro (4) anos, ele voltou: Rogério Ceni é, novamente, o técnico do São Paulo.

Essa será a terceira passagem do ídolo pelo clube – antes, como um dos mais importantes jogadores da história do tricolor paulista e, agora, pela segunda vez, como treinador da equipe. O anúncio foi feito no dia 13 de outubro, após demissão do técnico argentino Hernán Crespo.

O retorno de Ceni, porém, gerou opiniões divergentes entre os torcedores do São Paulo.

Nas redes sociais, alguns são paulinos se mostraram animados com a possibilidade, mas a Independente – maior torcida organizada relacionada ao tricolor paulista – se posicionou contra a vinda do treinador.

Em sua conta do Instagram, a Independente publicou que Ceni era “a última opção como técnico” para o clube. Além disso, se mostrou contra a demissão de Crespo — inclusive, colocando uma faixa em homenagem ao argentino no estádio do Morumbi — e disse que não vai cantar o nome do novo treinador nas partidas restantes do Brasileirão desse ano enquanto ele não pedir desculpas por declarações feitas na época em que comandava a equipe do Flamengo.

Na ocasião, Ceni disse que a atmosfera de trabalho no Flamengo era “diferente”, mesmo tendo trabalhado por tantos anos em outro clube de massa como o São Paulo. A declaração não foi bem recebida pelos são-paulinos. Após a reestreia no dia 14, em empate por 1 a 1 contra o Ceará pelo Brasileirão, Ceni resolveu se retratar, ao esclarecer que o São Paulo é sua casa e que a diferença entre os dois (2) clubes é que, na capital paulista, há a divisão entre três (3) grandes clubes, ao contrário do Rio, onde a torcida flamenguista é dominante, sendo uma “inserção social vestir a camisa do Flamengo”.

Embora sua carreira como técnico do tricolor paulista possa gerar controvérsias, a história de Ceni como jogador do São Paulo é incontestável: ele é o atleta que mais vestiu a camisa tricolor e o que mais ganhou títulos. Foram 1.237 jogos, várias conquistas — com destaque aos dois Mundiais de Clubes — e o recorde como o maior goleiro artilheiro da história do futebol mundial com 131 gols. A boa performance, contudo, não foi repetida como treinador, pelo menos na primeira oportunidade: foram apenas seis (6) meses no comando do clube em 2017, nenhum título oficial, e sua demissão após deixar a equipe na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro.

Rogério Ceni vem de bons trabalhos como treinador. No Fortaleza, se tornou ídolo e conquistou a Série B do Brasileiro de 2018. No Flamengo, foi campeão do Campeonato Brasileiro de 2020.

A dança das cadeiras no futebol brasileiro

Idas e vindas de jogadores e treinadores se tornaram mais do que comum no futebol tupiniquim. É difícil encontrar um clube grande no país que não tenha pelo menos um (1) jogador que já passou pelo clube anteriormente em seu elenco. O recordista nesse caso, no momento, é o Corinthians, que possui seis (6) jogadores bem conhecidos por seus torcedores que retornaram nas últimas temporadas para o clube paulista.

No caso dos treinadores, não é diferente: oito (8) dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro estão com técnicos atuais que já haviam treinado o clube antes. Se formos somar os treinadores que já passaram pelos clubes em outras funções, esse número é ainda mais expressivo. Veja na lista abaixo os 11 casos atuais na elite do futebol nacional:

  • Atlético-MG: Cuca. O treinador já havia passado pelo clube mineiro entre 2011 e 2013, onde foi campeão da Copa Libertadores da América de 2013. Retornou ao Galo no início da temporada de 2021.
  • Athletico-PR: Alberto Valentim. Já havia trabalhado no Furacão como jogador de 1996 a 1999 e de 2008 a 2009. Foi anunciado como treinador do clube em outubro de 2021.
  • Bahia: Guto Ferreira. Foi técnico do clube entre 2016 e 2017 e em 2018. Conquistou o título da Copa do Nordeste de 2017 e retornou a Salvador em outubro desse ano.
  • Corinthians: Sylvinho. Jogou no clube do Parque São Jorge entre 1994 e 1999, quando conquistou o Brasileirão de 1998. Estreou como técnico em maio de 2021.
  • Flamengo: Renato Gaúcho. Teve três (3) passagens de sucesso como jogador do clube carioca nas décadas de 80 e 90, quando conquistou o Brasileirão de 1987. Estreou como técnico em julho desse ano.
  • Fluminense: Marcão. Jogou no clube carioca entre 1999 e 2006, se tornando ídolo da torcida. Como treinador, já havia trabalhado como técnico interino e efetivado em 2016 e 2020. Foi novamente efetivado em agosto desse ano.
  • Grêmio: Vagner Mancini. Como jogador, teve ótima passagem pelo tricolor gaúcho em 1995, quando conquistou a Libertadores daquele ano. Na função de técnico, ficou apenas dois (2) meses em 2008. Retornou ao clube em outubro de 2021.
  • Internacional: Diego Aguirre. Jogou no Inter entre 1988 e 1989 e foi campeão gaúcho como treinador em 2015. Retornou ao colorado em junho de 2021.
  • Juventude: Marquinhos Santos. Está no clube desde fevereiro desse ano. Trabalhou em Caxias do Sul em 2019 e 2020, quando conquistou o acesso para a Série B e Série A do Brasileiro com o Juventude.
  • Red Bull Bragantino: Maurício Barbieri. Trabalhou no Red Bull Brasil, antes da fusão do clube com o Bragantino, entre 2013 e 2016. Está agora no clube desde setembro de 2020.
  • São Paulo: Rogério Ceni. Foi ídolo como jogador entre 1990 e 2015, e falhou como treinador em 2017. Retornou ao clube em outubro de 2021.

Como serão as atuais passagens desses treinadores por seus clubes? Só o futuro dirá. Mas uma coisa é certa: o vai-e-vém do futebol brasileiro já virou tradição e não deve parar tão cedo. Qual será o próximo jogador ou treinador a retornar a um clube em que já atuou anteriormente? Façam suas apostas.

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