A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai anunciar nesta quarta-feira (26), em um evento em São Paulo, o conjunto de regras do Fair Play Financeiro, que começará a valer em 1º de janeiro de 2026.
Segundo informações publicadas pelo portal Globo Esporte, a principal novidade será a concentração e fiscalização de informações financeiras dos clubes, como custos de elenco, dívidas, transações e contratos, em uma única plataforma digital.
CBF apresenta novo modelo de Fair Play Financeiro para 2026
- Implementação válida a partir de 1º de janeiro de 2026;
- Monitoramento em três janelas anuais (março, julho e novembro);
- DTMS passa a ser pré-condição para registro no BID;
- Dívidas novas terão sanção imediata e as antigas têm prazo até novembro de 2026;
- Limite de 45% do faturamento para dívidas de curto prazo;
- Controle de custos do elenco: 70% da receita na Série A e 80% na Série B;
- Punições vão de advertência a rebaixamento;
- Vigência plena do equilíbrio financeiro: 2028;
- 79% das sugestões dos clubes incorporadas ao regulamento.
Novo sistema da CBF terá monitoramento contínuo e três datas-chave ao ano
De acordo com o ge, o novo sistema vai permitir que a CBF acompanhe, de forma contínua, a saúde financeira do futebol brasileiro. Para isso, foram definidas três janelas de monitoramento anual:
- 31 de março
- 31 de julho
- 30 de novembro
DTMS será ferramenta central do controle financeiro
O controle operacional será feito pelo DTMS (Domestic Transfer Matching System), tecnologia da Fifa usada para registrar e acompanhar transferências nacionais. A plataforma passará a monitorar:
- Dívidas entre clubes
- Contratos de atletas
- Débitos com órgãos públicos
Além disso, o DTMS será integrado ao TMS internacional, reforçando a transparência na troca de informações sobre transferências e pagamentos.
O cadastro das operações e dos contratos será pré-condição para que os atletas tenham seus nomes publicados no BID, o Boletim Informativo Diário da CBF.
FAIR PLAY FINANCEIRO
Sistema da CBF terá tripla fiscalização anual e transições até 2030.
Clubes terão de cadastrar contratos em sistema da CBF e dívidas novas a partir de janeiro podem ter sanção imediata.
Confira ➡️https://t.co/FaLJBosO3Wpic.twitter.com/HJLdbKJhCe
— ge (@geglobo) November 25, 2025
Prazos e limites para endividamento
Um dos pilares do novo sistema é o controle do endividamento de curto prazo. Os clubes deverão manter dívidas inferiores a 45% do faturamento anual. O prazo de transição será até 2030 (referente ao ano contábil de 2029)
Clubes que não se adequarem entrarão em um regime de monitoramento e estarão sujeitos a punições progressivas.
Punições previstas
As penalidades poderão ser aplicadas de forma gradual, permitindo que os clubes se ajustem sem colapsar suas operações.
As medidas incluem:
- Advertência
- Multa
- Retenção de receita
- Transfer ban
- Perda de pontos
- Rebaixamento
- Cassação de licenças
Regras em regulamento e obrigação dos clubes
Segundo o ge, o regulamento será modificado para que o registro no DTMS e o contrato sejam pré-requisitos para a publicação no BID. A partir de 2026, os clubes terão a responsabilidade de abastecer o sistema com suas informações financeiras e contratuais.
O objetivo é aumentar a transparência, padronizar os processos e permitir um acompanhamento mais preciso da sustentabilidade financeira de cada instituição.
⚠️ Fair Play Financeiro do futebol brasileiro terá 3 fiscalizações anuais da CBF e transição até 2030.
Os clubes terão que registrar contratos de atletas, transações e dívidas numa plataforma da CBF para poder inscrever jogadores. Essa plataforma será integrada ao sistema da… pic.twitter.com/tdnAHzwIIl
— Planeta do Futebol 🌎 (@futebol_info) November 25, 2025
Os quatro pilares da Sustentabilidade Financeira
O novo modelo da CBF estabelece quatro pilares no SSF (Sistema de Sustentabilidade Financeira):
Controle de dívidas em atraso
Há duas categorias:
Dívidas assumidas após 1º de janeiro de 2026
- Controle será imediato
- Sanções podem ser aplicadas diretamente, sem fase de monitoramento
Dívidas anteriores a 2026
- Prazo para regularização: 30 de novembro de 2026
- Não é necessário quitar o total, mas estar em dia com as parcelas
Equilíbrio operacional
A transição ocorrerá nos resultados financeiros dos anos:
- 2026 e 2027 (referência: anos contábeis de 2025 e 2026)
- Vigência plena: 2028
Clubes podem receber aportes de capital ilimitados para cobrir saldos negativos.
Limites de déficit por divisão (3 últimos exercícios somados)
- Série A: até R$ 30 milhões ou 2,5% das receitas
- Série B: até R$ 10 milhões ou 2,5% das receitas
Controle de custos do elenco
Os gastos com salários, encargos, direitos de imagem e amortizações terão teto:
- 70% das receitas para clubes da Série A
- 80% das receitas para clubes da Série B
Clubes fora do limite entram automaticamente em monitoramento.
Segundo cálculos do grupo de trabalho, apenas quatro clubes da Série A já cumprem essas metas.
Endividamento de curto prazo
Visa garantir uma estrutura de capital sustentável e reduzir a alavancagem financeira. O limite é 45% do faturamento.
⚠️ Flamengo divulga as propostas que apresentou para contribuir na criação do Fair Play Financeiro no futebol brasileiro:
📸 Divulgação pic.twitter.com/qQrDmwoKn9
— Planeta do Futebol 🌎 (@futebol_info) November 10, 2025
Participação dos clubes e temas debatidos
O grupo de trabalho começou em 25 de julho e realizou quatro reuniões entre 11 de agosto e 11 de novembro. Ao todo, a CBF registrou 77 participações, sendo:
- 41% clubes da Série A 2025
- 41% da Série B 2025
- 12% federações estaduais
- 6% demais entidades do futebol
Das sugestões enviadas:
- 79% foram incorporadas
- 21% ficaram fora, mas a CBF apoia o debate futuro
Temas mais citados nas sugestões
- Pagamentos em atraso — 12 solicitações
- Padronização contábil — 10 solicitações
- Multipropriedade de clubes — 7 solicitações
- Nível de alavancagem — 7 solicitações
- Repactuação de débitos fiscais — 6 solicitações (não entrou no regulamento)
Também foram discutidos:
- Período de adaptação (4 pedidos)
- Limitação de custos com elenco (4 pedidos)
- Número de rebaixados (2 pedidos)
- Limite de estrangeiros (1 pedido)
As duas últimas não foram incorporadas ao regulamento.





