Na corda bamba? Os desafios da técnica Pia Sundhage no comando da seleção feminina

Sueca deixou de ser unanimidade na CBF, mas faz processo importante de reformulação na modalidade

A técnica Pia Sundhage foi contratada após a Copa do Mundo de 2019 para comandar a Seleção Feminina, ao menos, até as Olimpíadas de Paris em 2024. Com duas medalhas de ouro olímpicas, ela era a figura ideal para revolucionar a modalidade no país.

Após três anos de trabalho, os primeiros questionamentos mais fortes começam a surgir. Além de fatores extracampo, os resultados ruins em 2022 pesam contra seu trabalho. Contra a Hungria, a equipe conseguiu apenas a primeira vitória em cinco jogos.

Por isso, a dúvida do momento é: Pia está na corda bamba e pode ser substituída no comando da Seleção Brasileira?

Sequência ruim de resultados

Uma contestação frequente da Seleção Masculina é a falta de grandes adversários na preparação para a Copa do Mundo. Claramente, esse não é um problema para o futebol feminino, porque o Brasil fez uma série de jogos contra times europeus em 2022.

O problema é que os resultados ainda não apareceram. Foram três empates em sequência, contra Holanda, Finlândia e Espanha, antes de uma derrota para a França. A primeira vitória veio por 3 a 1, contra a Hungria, que além de encerrar a sequência ruim, também foi a última data FIFA antes da Copa América.

Copa América é o próximo compromisso

Os amistosos preparatórios da equipe brasileira visam a disputa da Copa América 2022, que será em julho na Colômbia. Além do título, terminar na primeira posição garante duas vagas fundamentais para o Brasil: a Copa de 2023 e as Olimpíadas de 2024.

A Seleção Brasileira não deve encontrar dificuldades para ser campeã — são sete conquistas em oito edições. Ou seja, a vaga nos principais torneios é praticamente garantida, mas a grande dúvida é na força do time para disputá-las.

Currículo vitorioso no futebol feminino

Pia Sundhage é uma das treinadoras mais vitoriosas do futebol feminino. São três medalhas olímpicas no currículo, sendo duas de ouro com a seleção dos Estados Unidos. Dessa forma, ela traz um currículo que o time brasileiro nunca teve no comando.

Para além de resultados — a campanha com o Brasil na última Olimpíada parou nas quartas de final, após derrota nos pênaltis para o campeão Canadá — há também uma transformação em curso na modalidade. Pia é uma figura presente na rotina de todas as categorias e promoveu a integração entre profissionais e categorias de base.

Coisas básicas, que já são tradicionais no futebol masculino há décadas, foram implementadas, como a presença de psicólogos em todas as categorias e a produção de relatórios das jogadoras convocadas, que ficam disponíveis para os clubes. A evolução no extracampo é nítida.

Nesse sentido, os principais defensores de Pia Sundhage na seleção veem o seu trabalho como essencial para desenvolver o futebol feminino no Brasil. Os resultados podem até não aparecer em um futuro próximo, mas suas mudanças podem reverberar por décadas.

Polêmicas jogam contra a treinadora sueca

A ideia era ter Pia até o fim do próximo ciclo olímpico, em 2024. Porém, de acordo com matéria do jornal O Estado de S. Paulo, a treinadora deixou de ser unanimidade na CBF e pode ser demitida. Outros nomes surgem como opção, como Simone Jatobá, técnica que faz ótimo trabalho no sub-17, e Arthur Elias, que dirige o Corinthians.

Uma das críticas mais fortes são polêmicas fora de campo, como o caso da goleira Bárbara, que discutiu com uma atleta paralímpica nas redes sociais dias antes da decisão contra o Canadá, em Tóquio. A falta de convocação de algumas jogadoras também pesa.

O caso mais recente foi Gio Queiroz, que denunciou assédio moral do Barcelona, entre outras coisas, para não defender a Seleção Brasileira. Agora no Levante, ela ganhou o Samba Gold como melhor atleta brasileira no futebol internacional em 2021, mas ficou fora da lista de convocadas de Pia. Gabi Zanotti, que brilha no Corinthians, é outro exemplo.

Naturalmente, os resultados ruins jogam luz para esses problemas, então recuperar o bom futebol da Seleção é o primeiro passo para afastar os questionamentos.

Lesão de Marta é mais um desafio

Por fim, a lesão de Marta pode deixar as coisas mais complicadas. A principal jogadora do país lesionou o seu joelho e deve ficar entre cinco e dez meses fora após cirurgia. Assim, é ausência certa na Copa América e pode não jogar mais em 2022.

Como o Brasil tem poucas chances de ficar fora da Copa do Mundo de 2023, que será disputada na Oceania, é natural imaginar que a treinadora seja mantida até lá. Porém, os próximos resultados podem ser fundamentais para a sequência do trabalho de Pia Sundhage na Seleção Feminina de Futebol.

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