Tecnologia em cheque: O VAR brasileiro e a sequência de decepções

Críticas ao árbitro de vídeo evidenciam que a ferramenta está longe de ser unanimidade entre torcedores e profissionais do futebol

O VAR surgiu para acabar com os erros de arbitragem e trazer mais justiça para o futebol. Apesar disso, é quase um consenso que a tecnologia está longe de alcançar o seu objetivo. Pior: é motivo de críticas pelo seu uso excessivo.

Nas últimas semanas, uma série de decisões questionáveis colocou, novamente, a tecnologia no centro do debate. Muitas vezes, em vez de auxiliar na condução da partida, o VAR tem efeito negativo e deixa torcedores e profissionais irritados com os resultados.

VAR coleciona decisões polêmicas no futebol brasileiro

Desde a introdução completa do VAR no Campeonato Brasileiro, uma série de lances geraram muita polêmica.

A ideia inicial era acabar com erros relacionados a impedimentos e gols não marcados, por exemplo, mas o que se vê são muitos pênaltis e expulsões, no mínimo, controversos.

Por isso, há um questionamento sobre a validade do uso da tecnologia no esporte. É verdade que muitos acertos fizeram a diferença no resultado — nem tudo deve ser questionado.

Porém, seus erros ganham as manchetes, principalmente com muitos lances que não deveriam ser revisados.

Relembre algumas polêmicas do VAR nas últimas semanas:

  • Pênalti e expulsão de Philippe Sampaio — Inter 2 x 3 Botafogo (Brasileirão Série A)
  • Pênalti para o Criciúma — Criciúma 1 x 0 Vila Nova (Brasileirão Série B)
  • Pênalti e expulsão de Lucas Perri — Tombense 1 x 1 Náutico (Brasileirão Série B)
  • Pênalti para o Athletico — Coritiba 0 x 1 Athletico (Brasileirão Série A)
  • Pênalti para o Corinthians — Corinthians 1 x 0 Goiás (Brasileirão Série A)

Protagonismo da tecnologia rende críticas

Uma crítica comum dos torcedores é sobre o “intervencionismo” da tecnologia. Ao contrário de outros países, como a Inglaterra, onde a tecnologia é acionada somente em lances claros, o VAR brasileiro participa com frequência do jogo.

Um exemplo são os lances interpretativos, como a marcação de um pênalti ou expulsão. Muitas vezes, a visão do árbitro, que estava próximo do lance, é substituída por uma imagem em câmera lenta ou pela escolha diferente do árbitro de vídeo.

Isso ajuda a explicar o motivo de, em diversos lances, o árbitro deixar o jogo seguir corretamente, mas ser chamado para ver novamente e muda de ideia. As chances de trocar a decisão na cabine são maiores, por conta da influência externa.

Irritação com a demora das decisões

Outro ponto é a demora para tomar decisões. Antes de chamar o árbitro para olhar o vídeo, o VAR pode demorar minutos para deliberar sobre um possível cartão vermelho ou mesmo para traçar a linha de impedimento.

Mesmo na Libertadores esse tipo de lance costuma levar poucos segundos, mas o futebol brasileiro parece ser o recordista de tempo para tomar decisões no VAR. A insegurança com os erros anteriores pode ser um motivo.

De qualquer forma, o jogo fica lento, com muitas interrupções. Somado ao fato de muitas decisões não serem unânimes, cria-se um ambiente desfavorável para o VAR.

CBF tenta contornar as críticas

A CBF vem testando novas ferramentas para diminuir os problemas com o VAR. Na última semana, o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Wilson Seneme, afirmou que a entidade vai mostrar a construção da linha de impedimento na transmissão.

Além disso, a CBF também planeja divulgar mais áudios da comunicação entre o grupo de arbitragem, incluindo aqueles que não tiveram revisão na cabine. Atualmente, somente os lances checados são disponibilizados, mas a ideia é trazer mais transparência.

Há também a ideia de realizar treinamentos mais constantes com os árbitros que operam o vídeo. De fato, algo precisa ser feito para contornar esses problemas.

Brasil não terá representantes no VAR da Copa do Qatar

Um sintoma do desempenho abaixo da média do VAR no Brasil é a falta de árbitros de vídeo brasileiros entre os profissionais que vão trabalhar no Qatar, durante a Copa do Mundo. Pela primeira vez na história, dois oficiais foram escalados pela FIFA, mas ninguém para o VAR.

Raphael Claus (SP) e Wilton Pereira Sampaio (GO) serão os representantes do país no Mundial. Além deles, os assistentes Bruno Boschilia, Bruno Pires, Danilo Simon, Neuza Back e Rodrigo Figueiredo estão escalados.

Dessa forma, fica claro que o VAR ainda tem muito espaço para avançar nas suas decisões no futebol brasileiro.

Lances como a expulsão de Philippe Sampaio, no jogo entre Inter x Botafogo, demonstram que será necessário novas diretrizes e mais treinamento para os nossos árbitros. O VAR deve ser a solução, não o problema.

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