Promessa da CBF: Teremos mais jogos da seleção no Brasil?

Novo presidente quer aproximar a Seleção Brasileira do público, mas há obstáculos

Em relatório apresentado para clubes e federações, o novo presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, afirmou que deseja aproximar a Seleção Brasileira dos seus torcedores. Para isso, o objetivo é jogar mais vezes no país.

Nas últimas décadas, a Seleção Brasileira virou uma marca comercial forte, que movimenta muito dinheiro. Porém, isso criou um distanciamento com o público brasileiro, que só consegue assistir aos jogos em seu próprio país nas Eliminatórias.

A oportunidade para mudar o cenário está no ar. Porém, não será um movimento tão fácil.

Contrato atual encerra em dezembro

Desde 2012, a CBF tem contrato com a Pitch International, que tem os direitos para comercializar os jogos amistosos da Seleção Brasileira. É um contrato bastante lucrativo para a entidade, que rende aproximadamente 2 milhões de dólares por cada partida disputada.

O acordo é válido somente até dezembro, então a CBF terá a chance de renegociar as condições. O novo presidente afirmou que, mesmo se for renovado, o objetivo é trazer a Seleção para mais perto.

“Se tiver que ser renovado ou ser feito outro, vai ser em um outro modelo, que não seja esse de que a seleção só tem que jogar fora”, disse o presidente para o UOL.

Era Ricardo Teixeira privilegiou o lado financeiro

O contrato atual substituiu o anterior, assinado em 2006 com a International Sports Events (ISE), ligada à Arábia Saudita. Inclusive, quando Ricardo Teixeira era presidente da CBF, a entidade percebeu que os amistosos da Seleção poderiam render muito dinheiro.

Isso explica o fato de a equipe jogar amistosos contra seleções mais fracas em locais alternativos, onde a Seleção era um grande atrativo e movimentava a bilheteria e economia das cidades. Um exemplo foi o amistoso disputado contra Omã, em 2009.

Atualmente, a Pitch Internacional está há quase três anos sem organizar jogos do Brasil, principalmente pela pandemia. Em junho, três amistosos estão agendados, mas os últimos foram disputados em novembro de 2019. Desde então, a Copa América e as Eliminatórias monopolizaram o calendário.

Seleção tem amistosos fora do país em 2022

Recentemente, o Brasil disputou a última rodada das Eliminatórias da Copa de 2022, mas ainda tem um jogo pendente contra a Argentina, que foi suspenso. Agora, os olhos estão voltados para o torneio principal, que começa em novembro.

Nos próximos meses, as chances de jogos no Brasil são ínfimas. As próximas datas têm jogos marcados no exterior. Em junho, são amistosos contra Coreia do Sul, Japão e Austrália. Depois, a Seleção joga nos Estados Unidos, em setembro.

Nesse sentido, não há pressa para definir o calendário para depois da Copa do Mundo, porque a competição é o grande objetivo da Seleção Brasileira. Porém, é uma oportunidade para trazer mais jogos para o país, porque o contrato atual dificulta esse objetivo.

Jogos contra europeus podem criar obstáculos

Uma crítica comum dos torcedores brasileiros é a falta de jogos contra europeus. Mesmo antes da pandemia de Covid-19, a Seleção Brasileira não tem o costume de organizar muitos amistosos contra grandes potências do futebol.

Até pelo fato de os melhores jogadores brasileiros estarem na Europa, há empecilhos para trazer os adversários para o Brasil. Nesse sentido, é provável que haja uma divisão entre marcar amistosos mais fortes ou jogar com mais frequência no país e se aproximar da torcida.

Nations League com a UEFA no horizonte

Além disso, existe outro obstáculo que pode dificultar a marcação de jogos no Brasil. Há um movimento para juntar a UEFA e a CONMEBOL na Nations League, que atualmente é disputada somente por equipes do continente europeu.

O movimento acabaria com esse déficit de jogos contra equipes do Velho Continente, mas tem potencial para reduzir drasticamente o número de amistosos. O calendário é curto e, com uma mais uma competição, a janela para amistosos será ainda menor.

De qualquer forma, o movimento para trazer mais jogos para o Brasil é importante para a Seleção Brasileira, que vive um período afastado do seu torcedor e pode recuperar essa relação com mais aparições em solo nacional.

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