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Conheça Eduardo Retondaro, fisioterapeuta que ajuda na recuperação de diversos jogadores brasileiros na Europa

Retondaro já foi estagiário de Nilton Petrônio, o Filé
Arquivo pessoal
O profissional está na França, auxiliando os brasileiros do elenco do Bourdeaux

*Com Jonas Moura

Ex-estagiário de Nilton Petrônio, o Filé, que atuou nas recuperações de Ronaldo Fenômeno, o fisioterapeuta Eduardo Retondaro ajudou o zagueiro brasileiro Henrique, que joga no Bourdeaux, a se recuperar de uma grave contusão que não era diagnosticada pelos médicos do clube. Na conversa exclusiva com o SAMBAFOOT, Retondaro também fala de sua experiência no futebol e comenta sobre o porquê de tantos brasileiros que jogam na Europa preferirem se tratar fora de seus times.

Eduardo, nesse momento você está no Brasil ou na França?

Eu estou na França, em Bourdeaux.

Como você se estabeleceu aí?

Na verdade, eu vim para cá no ano passado, em janeiro, para reabilitar o Henrique, zagueiro do Bourdeaux. Era para eu ficar apenas três semanas, mas nós solicitamos os exames de imagem e vimos que a lesão dele era muito mais grave do que eu imaginava. Acabou que eu fiquei aqui quatro meses, até ele se recuperar. No segundo semestre do ano passado, ele sofreu uma nova lesão, dessa vez no joelho – a primeira tinha sido nos adutores – e eu voltei para passar mais um mês na França. Neste ano, em julho, o Jussiê, atacante brasileiro do Bourdeaux, estava voltando para o Brasil com uma lesão na musculatura posterior da coxa e perguntou se eu poderia ir atendê-lo em Belo Horizonte, onde mora a família dele.

Deu tudo certo, aí o Jussiê e o Henrique me convidaram para vir para cá para montar uma estrutura e fazer um trabalho com eles não só curativo, mas também de prevenção. Já estou aqui desde agosto.

Como está esse projeto de montar a estrutura?

Graças a Deus, já está tudo montado. Na casa do Jussiê tem uma garagem muito grande, onde eu montei a clínica. Nós corremos atrás de material e estamos trabalhando aqui diariamente.

Imagem da clínica de Retondaro, montada na garagem do atacante Jussiê.  Foto: Arquivo pessoal

Como você chegou à medicina esportiva?

Eu fiz 15 anos de formado agora, mas a minha escola foi com o Nilton Petrônio, o Filé (N.R.: fisioterapeuta que tratou de Ronaldo em suas contusões no joelho e de Romário, entre outros). Eu comecei com ele como estagiário e, logo depois de formado, o Filé me aproveitou para a equipe dele. Desde então, eu trabalho nessa área de reabilitação esportiva.

O gosto pelo futebol influenciou na escolha da área?

Sim, sim. Eu trabalhei com outros esportes também, mas o futebol me acompanhou desde o início, até porque eu joguei em categorias de base. A experiência que eu tive com o Filé foi muito boa, muito positiva profissionalmente. Convivendo nesse meio do futebol, a gente fica empolgado e querendo cada vez mais mostrar o trabalho e evoluir.

Porque você acha que muitos jogadores brasileiros que estão na Europa preferem se tratar fora de seus clubes quando estão contundidos?

Na verdade, essa é a minha segunda experiência em nível europeu. Em 2002, na segunda lesão do Ronaldo, quando ele estava na Internazionale de Milão, o Filé foi para a Itália e me convidou para passar um tempo lá. Quando eu cheguei, encontrei uma estrutura maravilhosa, mas não tinha mão de obra. Se eu não me engano, só tinham dois massagistas. Nem fisioterapeuta tinha.

Eu fiquei com aquilo na minha cabeça, mas não imaginei que também pudesse acontecer em outros países. Quando eu cheguei aqui na França, fiquei assustado, porque a estrutura do Bourdeaux é de primeiro mundo. Tudo o que um fisioterapeuta sonha para trabalhar dentro de clube aqui tem de sobra. Só que, infelizmente, parece que a coisa aqui não vai. Se eu não me engano, a formação aqui na França, para fisioterapeuta, é de dois anos e meio. No Brasil, nós temos cinco anos de formação, mais a pós-graduação e os cursos de extensão.

Aí os jogadores brasileiros, que já estão acostumados com essa mão de obra qualificada do Brasil, ficam com as mãos atadas quando se machucam aqui na Europa, porque ficam muito tempo no departamento médico. Uns acabam voltando para o Brasil, outros chamam os fisioterapeutas para cá. Eu não sou o primeiro, tenho até um amigo que está no Kashima Antlers, do Japão.

Você falou da lesão do Henrique. Quais você considera que foram os principais erros cometidos pelo departamento médico do Bourdeaux no tratamento da lesão dele?

A primeira lesão do Henrique, bastante grave e rara, foi um mal anunciado. Em agosto de 2010, ele evoluiu para uma tendinite no adutor da coxa direita. Essa lesão não foi bem tratada aqui na França, até que chegou a um quadro de tendinose, um processo inflamatório no tendão quando ele está se regenerando e, por isso, próximo de se romper. Como o Henrique viu que aqui no clube não teria solução, ele ligou para o seu empresário, que conseguiu uma autorização para que o Henrique fosse ao Brasil se tratar com um especialista. Até então, pensavam que a lesão dele era no púbis, e não no adutor.

Por isso, o Henrique procurou o doutor Joaquim Grava, médico do Corinthians e especialista em púbis. O Grava detectou a tal tendinose e o Henrique ficou 15 dias se tratando no Corinthians. Houve uma melhora, mas, como o clube só o havia liberado por duas semanas, o Henrique teve que voltar para a França. Infelizmente, os profissionais daqui não seguiram o que foi recomendado pelo Bruno Mazziotti, fisioterapeuta do Corinthians, e o Henrique acabou rompendo os dois adutores, tanto o direito quanto o esquerdo.

O zagueiro Henrique só se recuperou ao se tratar com Retondaro.  Foto: Arquivo pessoal

Então, ele se desesperou e ligou para o Bruno, pedindo que viesse para cá, já que o clube não autorizaria um retorno ao Brasil. Mas como o Bruno estava na seleção sub-20 que ia disputar o sul-americano, ele indicou meu nome ao Henrique. Nós nem sabíamos o que tinha acontecido de fato. A princípio, eu vim para tratar de uma tendinose, algo que demanda três semanas para a recuperação do atleta. Só que quando eu fiz os testes com ele, me assustei um pouco, e solicitei o exame de imagem que acabou detectando a ruptura.

Qual foi o impacto desse seu trabalho com o Henrique no clube? Você acha que provocou uma mudança de mentalidade por lá?

Infelizmente, não mudou a mentalidade. Eu gostaria de te dar como resposta que mudou, mas não foi isso que aconteceu. Na época, o departamento médico do clube disse ao Henrique ele teria que parar de jogar futebol se não se submetesse a uma cirurgia. Mas nesse tipo de caso, a conduta não é cirúrgica. Ele apostou no meu trabalho, seguiu a minha recomendação, não operou e felizmente deu tudo certo.

Em março, o empresário dele, Eduardo Uran, perguntou se eu não me interessaria em montar um trabalho no clube, e eu disse que sim. Mas quando ele foi propor isso lá dentro, o presidente disse que já havia fisioterapeutas suficientes e tratou a lesão do Henrique como se fosse um acontecimento isolado. E a gente sabe que não é assim. Em janeiro, esse caso vai fazer dois anos, e eu posso dizer que a mentalidade não mudou em nada.

Ao que parece, os clubes europeus olham um pouco torto para os profissionais brasileiros que tratam dos jogadores deles...

Sim, de fato. No início, eu fui vitima de extremo preconceito por parte da maioria dos profissionais daqui. “O que um profissional lá do Terceiro Mundo vai fazer para resolver um problema nosso?”, perguntavam. Mas, apesar de eu ter dito que a mentalidade não mudou com o caso do Henrique, o olhar deles em relação ao meu trabalho mudou muito. Hoje, eles me veem com mais respeito. Outra coisa que não fazem aqui é o trabalho de prevenção, algo eu aprendi com o Filé. É muito mais barato fazer um trabalho preventivo, avaliar cada estilo de jogador, cada posição, do que deixar o atleta dois, três meses no departamento médico. Até hoje eles não se tocaram quanto a isso, mas um dia a ficha vai cair.

Qual você acha que é a principal causa de lesão no futebol atual?

Aqui na Europa, pelo que eu vejo, é essa falta de avaliação individual dos atletas. No caso do Henrique, o objetivo inicial do tratamento nos joelhos era o mesmo do Jussiê, por exemplo. Mas o Henrique é um zagueiro, já o Jussiê é um atacante. Então a gente tem que retomar, na fase final de reabilitação, o que se chama gestual desportivo. Nesse momento, eu tenho que fazer com o Henrique um trabalho de zagueiro: saída de bola, lançamento, cabeceio, chutão. Já o Jussiê, não. Tem que ser um trabalho de giro, velocidade, mudança de direção rápida, raciocínio rápido. E aqui não tem isso. Se um atleta sofre uma entorse de tornozelo, ele recebe exatamente o mesmo tratamento de uma senhora de idade que tenha esse tipo de lesão.

É por isso que a coisa não anda. O Jussiê está aqui na França há oito anos. No Bordeaux, há seis meses. Mas ele nunca havia tido uma sequência de jogos, por conta das lesões musculares. Quando uma lesão era mal tratada, acabava sobrecarregando outro grupo muscular e logo ele se machucava de novo. Mas, graças a Deus, desde julho, quando comecei a acompanhá-lo, ele jogou praticamente todas as partidas como titular. Aos domingos, quando todos descansam, a gente vai trabalhar, fazer desintoxicação muscular. A manutenção só vem com a prevenção. Não dá pra parar nunca.

 
 

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