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Entrevista: Conheça Magno Novaes, o goleiro brasileiro que se aventurou pela Europa e conduziu o Bastia à elite do futebol francês

Com as cores do clube da Córsega, Magno foi eleito o melhor goleiro da segunda divisão francesa
Icon Sport
Depois de muitas dificuldades, jogador vive o desafio de jogar em alto nível

* COM BERNARDO PEREGRINO

Muitos brasileiros talvez não conheçam Magno Novaes, mas o goleiro de 29 anos tem uma história que o torcedor do Bastia jamais irá esquecer. Quando chegou ao clube da Córsega, em 2008, o objetivo do jogador de se manter na segunda divisão francesa fracassou, e o drama do rebaixamento foi inevitável. No momento mais difícil da equipe, Magno não abandonou o barco. Foi peça fundamental nas campanhas que conduziram o time à elite do futebol local. Vivendo o desafio de jogar contra grandes clubes, como Lyon e Paris Saint-Germain, o arqueiro admite as dificuldades, mas não perde o otimismo de garantir a manutenção do Bastia no patamar que ocupa atualmente. Confira a entrevista exclusiva que Magno concedeu ao SAMBAFOOT, direto da França.

Como foi o início da sua carreira?

O caminho que eu fiz para chegar aqui foi muito longo. Tive que viajar para o Chipre, depois ir para a França, passar por dificuldades em um time da terceira divisão daqui, chegar sozinho num país que eu não conhecia... Mas nada que me impedisse de chegar à primeira divisão do Campeonato Francês.

Por quais clubes brasileiros você passou nas categorias de base?

Eu passei pelo Bahia, pelo Corinthians e depois voltei para o Bahia. Em seguida, quando eu tinha 21 anos, fui para o Democratas, de Minas Gerais, e foi daí que eu saí do Brasil. Passei um ano, um ano e meio no Democratas.

Por que você virou goleiro? O que te levou a escolher essa posição?

Isso começou na infância, nas brincadeiras de rua, como com qualquer brasileiro. Eu brincava com os meus amigos, só que todos eles tinham medo de pular, menos eu (risos). Na escola, sempre que tinha torneio eu jogava, ganhava medalhas. Até que um amigo me sugeriu que eu fizesse um teste no Bahia. Minha mãe me colocou na escolinha do clube e foi assim que eu comecei a fazer minhas defesas. Mas a coragem de pular foi decisiva. 

Como você chegou à França?

Antes de ir para a França, eu tive uma passagem pelo Chipre, onde eu fiz testes. Fiquei dez dias e tudo estava certo para que eu ficasse. No final, meu ex-empresário disse que iríamos assinar o contrato no dia seguinte. Mas, à meia-noite, o treinador do time veio ao hotel em que eu estava e falou que o presidente do clube não estava de acordo. Infelizmente, tive que ir embora. Depois eu fui para a França, onde esse meu ex-empresário morava, para procurar times, mas já estava no final do mercado de verão aqui na Europa, em 2005. Em seguida, ele me colocou num time, mas não era do nível que eu esperava. O nome do clube era Moulins, da terceira divisão. A minha passagem foi um pouco complicada por causa da adaptação, língua, temperatura... Mas aprendi muito da cultura, inclusive a língua francesa. Em termos esportivos foi complicado, mas de aprendizado foi ótimo.

E como foi a adaptação? O goleiro tem uma dificuldade a mais, porque tem que orientar os zagueiros...

Então, antes de vir para a França, eu tinha um livrinho com umas coisas básicas que eu lia para aprender. Eu sou muito curioso também, perguntava muito. Acabei aprendendo rápido as palavras mais básicas para um goleiro. Mesmo assim, foi difícil no começo.

Como as pessoas viam o fato de você ser um goleiro brasileiro?

Eles estão mais acostumados a ver atacantes, meio-campistas, laterais... Goleiro brasileiro é muito raro. No início, o pessoal ficava me zoando dizendo “poxa, goleiro brasileiro? A gente queria atacante...” (risos).

E a sua história no Bastia? Quando você chegou, o clube estava na terceira divisão e, hoje, está na elite.

Na verdade, quando eu cheguei ao Bastia, o time estava na segunda divisão. Antes, eu passei por um clube chamado Harles, em que eu joguei uma temporada. Essa temporada veio depois de um ano de sacrifício, porque eu tive a perda da minha mãe e, logo depois disso, tive a oportunidade de voltar para a França, com o meu próprio dinheiro. Fiquei na casa de um amigo, e outro amigo encontrou o Harles para mim, na terceira divisão. Eu fiz uma boa temporada e, em seguida, fui contratado pelo Bastia, em 2008.

Eu cheguei na segunda divisão e tive uma temporada boa, fui eleito um dos quatro melhores goleiros do campeonato. No ano seguinte, caímos para a terceira divisão. Foi complicado, mas eu acabei ficando aqui. Jogamos bem, subimos e o time se destacou. De volta à segunda divisão, eu cheguei a ser eleito o melhor goleiro do campeonato. Agora, na elite, já estou sentindo um pouco de dificuldade, porque o nível é outro. Mas eu estou muito feliz. Sempre sonhei estar em um time que pudesse me dar um bom nível de jogo, como aqui, ainda mais depois de tudo por que passei.

Quando o time caiu, você pensou em deixar o Bastia?

Eu tive propostas, mas nada muito interessante. Nenhum time da primeira divisão. Os diretores acabaram não me deixando sair e eu também tive vontade de ficar aqui, porque tinha um sabor de revanche. Revanche para mostrar que a gente tinha qualidade, e foi o que eu fiz.

Como está sendo a experiência de estrear na primeira divisão do Campeonato Francês?

Eu sabia que não ia ser fácil, mas está mais complicado do que eu imaginava. O objetivo inicial do nosso time era permanecer na primeira divisão, e começamos muito bem. Depois, tivemos uma série de derrotas que bloquearam nosso avanço na tabela. No último jogo, o treinador resolveu mudar a escalação, porque havíamos tomado muito gol, e eu acabei indo para o banco. Mas estou paciente e trabalhando para voltar em forma.

E o treinamento aí na França? Você sente diferença em relação ao trabalho que os goleiros fazem no Brasil?

É outra técnica. Aqui, existe a preocupação de jogar um pouco mais avançado. É muita bola nas costas do zagueiro, tem muito cruzamento. No Brasil, o jogo é mais lento, os zagueiros quase não fazem linha de impedimento, ou seja, tem alguns detalhes. Mas são coisas que com o tempo você se acostuma.

No Bastia você virou um ídolo da torcida. Como foi isso para você?

Como é uma torcida fanática pela região e pelo time, o fato de eu ter permanecido quando a equipe caiu para a terceira divisão, no pior momento do clube, e de ter conquistado títulos que não vinham há muito tempo, tudo isso eu acho que pesou. Mas no futebol você vive de momento. Quando ele é bom, todo mundo gosta de você. Essa é a única coisa que conta. Agora eu estou passando por um momento mais delicado. Falta experiência ao nosso time, principalmente quando jogamos contra equipes de alto nível, como o PSG e o Lyon.

Falando em PSG, como está o clima aí na França após a formação desse supertime?

Mudou completamente o futebol francês. Diretores que pensam, calculam, investem, isso não tinha e agora tem. Então a mídia fala muito. Quando eles não ganham dois ou três jogos seguidos, parece que já estão em crise. Mas a pressão é normal.

O Bastia fica numa região diferente do resto do país, que é a Córsega, com uma cultura própria. Como é jogar num local assim?

Aqui na Córsega você sente a diferença. O clima é mais latino, é a região mais quente da França. E essa é uma ilha que antes pertencia à Itália, e hoje é da França. Então tem todo um orgulho das pessoas que moram aqui e, como em toda ilha, existe aquela preocupação de proteger a região.

Qual é a situação do seu contrato no Bastia?

Termina em 2014. Tinha terminado no fim do ano passado, mas renovei por mais dois anos. E vamos lutar para ficar na primeira divisão.

E você pretende seguir até o final?

Tenho que viver o dia a dia, né? Não posso pensar no amanhã, se o hoje ainda não é certo.

Mas no fundo você tem vontade de jogar no Brasil?

Tenho vontade, claro. Se for para um time que me dê uma estrutura boa, por que não?

 
 

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