• Atlético Mineiro
  • Fluminense
  • Grêmio
  • São Paulo FC
  • Corinthians
  • Internacional
  • Vasco da Gama
  • Santos FC
  • Sport
  • Palmeiras
  • Atlético PR
  • Chapecoense
  • Ponte Preta
  • Avai
  • Cruzeiro
  • Flamengo
  • Figueirense
  • Goias
  • Coritiba
  • Joinville

O lateral-direito Hélder, do Nancy, fala de sua carreira e da vontade voltar ao Brasil com exclusividade ao Sambafoot

O jogador está na França desde 2008
Action Images
O jogador teve passagem pelo Juventude

*Com Jonas Moura

O SAMBAFOOT conversou exclusivamente com o lateral-direito Hélder, que hoje joga no Nancy, da França. Ele contou como foi o início de sua carreira, sua experiência no futebol romeno e as diferenças entre o futebol europeu e brasileiro. Hélder também comentou da sua vontade de voltar a jogar no Brasil.

Como foi o início da sua carreira?

Eu comecei a jogar bola em 2006, no Juventude. Eu até fui para a Grécia, em 2005, mas no Brasil mesmo foi no Juventude.

E como foi lá na Grécia?

Foi uma experiência boa e ruim ao mesmo tempo, porque eu não conhecia muita gente, estava com um cara que só queria brincadeira... Fiquei lá uns quatro meses, mas foi uma experiência frustrada.

Como você foi parar no Juventude?

Nessa época aí, eu ia parar de jogar futebol, porque estava quase com 18 anos e tinha aquela pressão de ter que definir a vida e não ter oportunidades. Eu era volante na época, mas apareceu a chance de fazer o teste, só que como lateral-direito. Eu acabei fazendo e fui aprovado no Juventude.

Como foi esse período?

Foi ótimo. Eu passei 6 meses na categoria júnior e logo depois fui para o profissional. Tinha alguns problemas com a equipe, porque muita gente queria mandar, mas foi legal, não tenho nada para reclamar da Juventude não.

De lá você foi para o Internacional...

Isso, fiquei oito, nove meses no Inter, mas só fiquei dois meses na equipe principal. A maior parte do tempo eu passei no Inter B. Em janeiro de 2008, eu voltei para o Juventude. Aí joguei o Gauchão por três ou quatro meses e vim para o Nancy.

Como foi a adaptação na França?

Ah, foi difícil, cara. Mas tem um brasileiro aqui, o André (Luiz, capitão do time), que acabou me ajudando. Foi complicado, mas aos poucos foi indo. Fui aprendendo muita coisa de tática, essas coisas assim. Com fé, você acaba tendo o resultado depois.

E qual foi a diferença que você viu entre o futebol brasileiro e o futebol da Europa?

Como eu converso com o meu amigo aqui, o futebol da Europa não para. É chutão, contato físico, toda hora a bola está no seu pé... Não dá tempo de pensar, nem de fazer nada. É complicado mesmo, essa é a principal dificuldade. No Brasil, você tem tempo para respirar. Aqui, o único tempo que dá para respirar é quando acaba o primeiro tempo.

Você prefere o estilo brasileiro?

Prefiro, até por isso estou querendo voltar para o Brasil.

Você também passou pela Romênia... Como foi lá?

Logo depois que eu cheguei, eu fui emprestado, em 2009/2010. Eu não conhecia muito a Europa, para mim era tudo igual em termos de futebol. Acabou sendo legal, mas também teve o seu lado ruim. Foi bom porque eu joguei 75 jogos em dois campeonatos, mas lá tem muito problema de questão financeira. Tirando isso, não tive nenhum problema. Lá, a maioria das equipes não tem um presidente, os clubes têm dono. Então, se o dono quiser te pagar, ele paga. Se não quiser, não paga, e assim vai. Mas a experiência foi legal, porque joguei bastante.

Você passou por três clubes na Romênia...

Joguei primeiro no Rapid Bucaresti e depois fui para o Dínamo Bucaresti, que é como se você saísse do Cruzeiro para o Atlético-MG... Eu fui o primeiro jogador em 30, 40 anos a fazer essa troca. Eles acharam errado, porque, ainda mais sendo estrangeiro, pensaram que eu estava desrespeitando o país. Isso foi um dos motivos que me fez sair da equipe três meses depois de ter chegado. Acabei indo para o Timisoara, onde foi bem melhor. Joguei muitas partidas e quase fomos campeões.

E o futebol na Romênia, é muito diferente do que se joga na França?

O futebol da Romênia, para te falar a verdade, parece até um pouco com o futebol brasileiro. Não pela técnica, mas pelo espaço. É mais leve, mas falta muita coisa. O Campeonato Romeno é muito desorganizado, mas agora eles estão melhorando. Se eles continuarem evoluindo, daqui a pouco eu acho que vão ter o resultado.

Você voltou para o Nancy porque encerrou o seu contrato de empréstimo, né?

Junto com a minha esposa eu tomei a decisão de voltar, até pensando em um plano de carreira. Com dois anos de contrato com o Nancy eu poderia sair, voltar para o Brasil... Estando na Romênia, isso seria mais complicado. Por isso a gente conversou e acabou voltando em 2011/2012.

No Brasil, o lateral-direito geralmente se manda para o ataque, mas na Europa não é tanto assim...

Aqui, eles prezam, em primeiro lugar, a marcação. Esse é um dos problemas que eu tive aqui. Com o treinador atual, eu jogo praticamente de meia, e não de lateral. Pelo fato de eu ter a velocidade e a força como grandes características, ele me deixa mais do meio para frente e o zagueiro atrás. Essa é a grande diferença. Quando eu cheguei aqui, no meu primeiro jogo, eu pegava a bola e me mandava. Ele gritava comigo, e eu não entendia nada. Até me deu uma bronca no intervalo. E eu achava que ele estava me encorajando, mas na verdade não estava (risos).

E fora dos gramados? Que outros aspectos da cultura na Europa você notou de diferente?

Eu vou contar uma pequena história sobre isso. Quando eu vim para o Nancy, o time estava numa cidade chamada Colmar, em preparação para um jogo. Eu tinha viajado o dia inteiro e estava com uma fome, uma fome... E para comer, você não acredita. Vieram três pedaços de abacate, dois camarões, um pedaço de peixe e pão. Ali eu percebi que a culinária ia ser um problema.

E como você fez para se adaptar a isso?

Minha mãe e minha esposa traziam arroz, feijão, tudo o que você pode imaginar de comida do Brasil (risos). Mas com o tempo eu fui me acostumando. Hoje é mais tranquilo.

Você sempre teve a família por perto durante sua passagem pela Europa?

Sempre. Principalmente minha esposa, que me acompanhou na Romênia. Minha mãe já morou comigo aqui na França, e no fim desse ano ela vem passar o Natal e o Ano Novo aqui. É importante ter essa presença por perto. Se não, não dá para aguentar.

Como você vê o momento do Nancy no Campeonato Francês? O que acha que está acontecendo com o time, que se encontra na última posição na tabela?

O que resume todo o nosso problema é a falta de confiança. A gente está demorando muito para adquirir isso. Quando eu cheguei aqui, o time ficou em quarto lugar. Foi um estouro. Só que de um ano para cá houve muitas mudanças. Em um ano, 14 jogadores saíram e entraram outros novos. Isso fez com que o estilo de jogo mudasse. Mas no passado foi a mesma coisa. Até antes de acabar o primeiro turno, a gente estava mal e todo mundo falava “o Nancy vai cair”, e acabamos terminando em 11º. Só que agora a gente não pode demorar muito, né?

Você acha que os resultados conquistados no ano passado fizeram com que se criasse uma expectativa muito além da realidade da equipe para esse ano?

Isso se refletiu até na cabeça dos jogadores. Ano passado nós batemos praticamente todos os grandes em casa, e foi na superação. Ganhamos do Lyon, do Montpellier e até do Paris Saint-Germain, este último na casa deles. Hoje, já temos oito derrotas consecutivas. Tivemos problemas com a torcida, que andou tentando invadir o vestiário... O momento é difícil. Só que agora começa um mini campeonato, com as equipes que ocupam a parte de baixo da tabela. Nesse momento, a gente não pode mais perder pontos.

Você falou do Paris Saint-Germain, que montou um supertime esse ano. Como está o clima entre os jogadores aí depois que a equipe deles foi formada?

Eu considero o PSG uma das equipes mais respeitadas aqui no Campeonato Francês nesse momento. Só a chegada do Ibrahimovic  e do Thiago Silva já diz muita coisa. E eu vou te falar que já vi muitos atacantes bons no Brasil e na Europa, mas, igual ao Ibrahimovic, não tem. A prova é o golaço que ele fez aí esses dias (gol de bicicleta, na vitória da Suécia contra a Inglaterra por 4 a 2, em amistoso). Então, não tem nem o que falar de um cara desses. E o Thiago Silva também dispensa comentários. A gente só tem a agradecer, porque é um jogador desses que abre as portas para nós aqui fora do Brasil.

Você acompanha o que acontece no futebol brasileiro?

Acompanho um pouco, mais pela internet. De vez em quando eu vejo os jogos. Mas confesso que fico mais preocupado é com o “vai-e-vem”.

O seu contrato aí vai até quando?

Até junho do ano que vem.

Mas você pensa em voltar para o Brasil?

O meu presente de Natal seria voltar para o Brasil.

Tem alguma preferência de time?

No momento eu não posso ter preferências. O mais importante é voltar para um grande clube do Brasil. Depois, a gente se vira.

 
 

Ultimas notícias

  • Todas
  • Seleção
  • Clubes
  • Jogadores
prev
    next

    Fórum de Futebol

      prev
      next
      To the top