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Destaque do Saint-Étienne, Brandão ainda sonha com a Seleção Brasileira. Confira a entrevista exclusiva do atacante para o Sambafoot

Centroavante marcou gols decisivos na França, como o da classificação do Olympique de Marseille na Champions League, em março
Reuters
Da França, o ex-jogador do Grêmio conversou com a equipe do Sambafoot.

* Com Bernardo Peregrino

Evaeverson Lemos da Silva, mais conhecido como Brandão, diz que hoje vive sua melhor fase. Com passagens por São Caetano, Cruzeiro e Grêmio, o centroavante de 32 anos tem o desafio de levar o Saint-Étienne a colocações cada vez mais ambiciosas no Campeonato Francês. Nessa conversa exclusiva com o SAMBAFOOT, ele relembrou o início de sua trajetória profissional, falou sobre a experiência no futebol ucraniano, não negou que ainda sonha com uma convocação para a Seleção Brasileira e ainda contou sobre alguns de seus projetos fora dos gramados.

Primeiro, gostaríamos de saber do porquê de você usar o nome Brandão, já que não é um sobrenome. De onde surgiu isso?

Meu pai jogou profissionalmente também, no Londrina, em 1987, e usava esse apelido. Aí, quando eu comecei no União Bandeirante, vi que o meu nome de verdade não iria dar certo... Como o meu pai usava esse apelido, eu passei a usar também.

Como foi o desenrolar da sua carreira?

No começo, eu fiz um teste no União Bandeirante, em 1999, mas mesmo assim terminei o colegial. Fiz o teste com 19 anos, um pouco mais tarde do que o comum. Fui eu e meu irmão, que hoje está fazendo medicina. Depois eu fui para o Grêmio Maringá, onde conquistei o título da Segunda Divisão do Campeonato Paranaense, e fui vendido do União Bandeirante para o Iraty. Daí, me transferi para o São Caetano, em 2002.

No São Caetano você jogou aquela Libertadores, em que o time foi vice-campeão, perdendo para o Olímpia-PAR nos pênaltis...

Isso. Fui até a semifinal. Eu fui vice-artilheiro da Libertadores e depois acabei vendido para o Shakhtar, mas não joguei nem a semifinal e nem a final. Eu joguei até as quartas de final, mas aí teve a paralisação para a Copa do Mundo, quando eu fui vendido.

Como foi jogar uma competição do tamanho da Libertadores por um time sem tanta torcida, como é o São Caetano?

Ah, foi uma ótima experiência, a oportunidade da minha vida. Eu estreei pelo time logo na Libertadores e já fiz dois gols, e aí começou uma nova trajetória na minha carreira. Eu fiquei muito feliz pela oportunidade que o Jair Picerni (técnico do São Caetano na época) me deu.

E quanto tempo você ficou no São Caetano?

Quatro meses, foi muito rápido. Nesse período, eu fiz 16 gols. Foi um momento decisivo para a minha carreira. Eu sempre tive o sonho de jogar na Europa, e, com muito esforço e dedicação, tudo deu certo.

Depois você foi para o Shakhtar Donetsky. Fale sobre a experiência lá.

Isso. Fui o primeiro brasileiro a chegar lá. No início era difícil, por causa do frio, da língua... Eles estavam reconstruindo a cidade depois do fim da União Soviética. Eu estranhei muito, mas graças a Deus eu fui o primeiro brasileiro de outros que acabaram indo para lá depois.

Você foi pioneiro, porque depois vários outros brasileiros seguiram o mesmo caminho...

Eu joguei com o Elano (hoje no Grêmio), Matuzalém (hoje na Lazio), Jádson (hoje no São Paulo), Fernandinho, Luiz Adriano, Willian, Ilsinho (os quatro últimos ainda estão no Shakhtar)... São vários que ainda estão lá ou já se mudaram para outros clubes.

E até o técnico, o romeno Mircea Lucescu, aprendeu a falar português...

Isso, ele fala cinco línguas. Ele domina português, francês, inglês, espanhol, um pouco de russo... É bem inteligente.

E com a língua, como foi a sua adaptação?

Eu aprendi uma coisa com o treinador da época, que era o alemão (Bernd) Schuster, que foi técnico do Real Madri depois. Ele chegou para mim e disse que, para eu jogar na Europa, tinha que aprender a cultura e a língua. Isso eu peguei e comecei a me interessar. Graças a Deus eu aproveitei esse conselho e sou muito grato a ele.

Além de um país muito diferente, o futebol da Ucrânia era muito diferente. Como foi a adaptação dentro de campo?

Rapaz, eu cheguei em 2002 e não tinha nenhum brasileiro. Eu tentava procurar algum jogador assim, mas não tinha ninguém... Depois apareceu o Diogo Rincón, no Dínamo (de Kiev). E a forma de jogar é completamente diferente. No Brasil, é muito mais técnica, enquanto que na Ucrânia é mais força. Fora que você tem que se adaptar a tudo, não só ao futebol. É na língua, no dia a dia... Tudo é muito delicado. Você tem que ouvir bons conselhos de jogadores mais experientes para poder seguir. Nos primeiros seis meses, eu quase não joguei e estava vindo muito bem do São Caetano. Não foi fácil. Todo jogador brasileiro que vai para a Europa precisa passar por um momento de adaptação, mas, às vezes, por orgulho, quer voltar porque não está tendo oportunidade. Mas, graças a Deus, eu pude entender que eu precisava me adaptar e falar a língua para poder jogar.

E o resultado foi ótimo, porque você fez muito sucesso no Shakhtar e ganhou várias taças...

Isso. E fui artilheiro lá também. Fui campeão e artilheiro com 15 gols em 2006 e 2007.

E como é a torcida lá na Ucrânia? Eles pressionam muito, ficam no pé do jogador?

Não, não. Lá é muito mais tranquilo. É diferente do Olympique de Marseille e daqui, do Saint-Étienne, onde a torcida está sempre presente no dia a dia dos treinos. Na Ucrânia não vai torcedor, é tudo muito mais privado.

Depois você foi para o Olympique de Marseille e já foi campeão francês logo de cara...

Eu cheguei lá em 2009 e fui vice-campeão. No ano seguinte, conquistei o título, além de várias outras conquistas, e fiz gols importantes, graças a Deus. Agora, no novo desafio, espero dar o título que essa torcida aqui do Saint-Étienne espera há 30 anos.

Em sua passagem pela França, quais gols você considera mais marcantes?

Tem vários marcantes, mas eu diria que os dois principais foram o gol contra a Inter de Milão, esse ano (aos 42 do segundo tempo, responsável por eliminar os italianos da Liga dos Campeões, em março), e o gol contra o Lyon, (que garantiu ao Olympique de Marseille o título da Copa da Liga Francesa, em abril). Mas todos os gols pra mim são importantes...

Qual foi o zagueiro mais difícil que você já enfrentou?

Todos os zagueiros europeus são bastante fortes né... Mas eu lembro que eu estava no Shakhtar e o Maldini e o Nesta, à época no Milan, viviam ótima fase. Eles foram os mais difíceis. Sem tirar o mérito dos outros, é claro.

Você voltou ao futebol brasileiro depois de dez anos fora. Muitos jogadores quando voltam dizem que é difícil a readaptação ao estilo de jogo. Você sentiu muita diferença?

Quando eu voltei, acho que eu só não tive a oportunidade que gostaria de ter tido no Cruzeiro. Não foi nem questão de adaptação, e sim a falta de oportunidade que me atrapalhou. No Grêmio (sob o comando de Celso Roth) eu tive mais chances, e eu consegui me destacar fazendo alguns gols.

Como tem sido essa nova fase no Saint-Étienne?

O pessoal aqui está com esperança. O grupo tem bons jogadores, que passaram por grandes clubes. Espero que a gente consiga conquistar taças importantes. Estamos em décimo no Campeonato Francês, mas vamos aos poucos. A competição é muito forte, tem cinco equipes de ponta, mas nós vamos correndo pelas beiradas e uma hora chegaremos lá em cima.

Qual foi o seu melhor parceiro de ataque até hoje?

Rapaz, foi o Mamadou Niang (senegalês), quando a gente foi campeão francês em 2009/2010. A gente se deu muito bem naquela época.

Você ainda tem algum sonho na sua carreira?

Eu tenho sim. Quero dar continuidade ao meu trabalho fazendo gols importantes e, um dia, chegar à Seleção Brasileira.

Tem mais alguma coisa que você gostaria de falar?

Quero falar que estou muito feliz aqui no Saint-Étienne, vivendo o meu melhor momento nesse ano de 2012. E sou empresário de um cantor agora, o Henrique Lemes, que ganhou o Ídolos em 2011 e tem tudo pra conquistar o mesmo sucesso, ou até mais, que Michel Teló e Gustavo Lima. E estou com o projeto de uma música, que deve ficar pronta em breve, feita em parceria com um amigo. 

 
 

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