
Mano elogia "surpresa" Hulk e afirma que manterá a base dos últimos amistosos: "Questão de coerência"

O técnico Mano Menezes concedeu entrevista coletiva logo após o anúncio dos 18 jogadores que defenderão a Seleção Brasileira nos Jogos Olímpicos de Londres 2012. Entre diversos assuntos, o comandante falou sobre a importância de Neymar para o time, a sua proposta de manter a base que atuou como titular nos últimos jogos e a força de adversários como Uruguai, Grã-Bretanha e Espanha, além da convocação do atacante Hulk, do Porto (POR). Confira a seguir:
Sobre a "surpresa" Hulk (boa parte da imprensa seguiu a pista do goleiro Jefferson, do Botafogo, que afirmara que os zagueiros Thiago Silva e David Luiz seriam convocados para a Seleção, deixando Hulk de fora)
Não convoquei Hulk no lugar de David Luiz, então não sei porque tenho que explicar isso, não sei de onde tiraram essa informação. Ganhamos muito ofensivamente com um jogador destes, e eu gostei do desempenho de Juan e Bruno Uvini na zaga, assim como Marcelo, que é um dos melhores laterais esquerdos do mundo. Gostei muito da produção de Hulk, e acho que a Seleção ganha com um jogador desse nível na frente.
Sobre Neymar e o seu suposto protagonismo
Minha preocupação como técnico não é escolher esse ou aquele para ser o grande nome dos Jogos Olímpicos. Minha preocupação é fazer a Seleção Brasileira ser a melhor dos Jogos Olímpicos. Se ela for a melhor, alguém vai sobressair, e temos jogadores capazes de revezar essa chamada de atenção. É o que queremos, a responsabilidade dividida, para que não caia tudo sobre apenas um jogador, mesmo que ele tenha grande capacidade.
Sobre o sentimento do torcedor sobre a Seleção, e um possível retorno aos holofotes onde se encontram Espanha, Messi, etc.
Ficou bastante claro que o torcedor brasileiro gostou do que viu nos últimos quatro amistosos, com uma Seleção composta basicamente por jogadores jovens. Se o torcedor gostou do que viu, se a Seleção foi capaz de despertar esse sentimento, é sinal de que estamos no caminho certo. Tenho certeza que ela pode fazer isso nos Jogos Olímpicos, e vamos fazer de tudo para que fique bastante claro para todos o que é jogar Jogos Olímpicos. Assim teremos sucesso.
Sobre os três primeiros adversários da Seleção nos Jogos Olímpicos (Egito, Bielorrúsia e Nova Zelândia)
Vamos estrear contra o Egito, que é um adversário mais físico, mais forte, e o mais complicado em termos de informação. Já Bielorrússia e Nova Zelândia teremos a observação dos próprios jogos das Olimpíadas, pois eles estarão jogando ao mesmo tempo que nós. Por isso a competição é assim, temos que superar essa primeira fase para ganhar mais confiança para depois.
Sobre o time titular para os Jogos Olímpicos
A ideia inicial como equipe base é a equipe que jogou os amistosos. Se saímos dos jogos com boas perspectivas, a coerência é que partiremos dessa mesma base. Não temos garantias no futebol e não devemos dar garantias em respeito aos adversários, mas é lógico que tentaremos manter essa base.
Sobre a importância dos Jogos Olímpicos na preparação para a Copa do Mundo
O grande momento de avaliação para a Copa do Mundo será a Copa das Confederações, onde poderemos usar todos os principais jogadores. Mas é lógico que as Olimpíadas podem dar confiança a jogadores que eventualmente não esperavam estar nesta posição há algum tempo atrás, e isso é importante.
Sobre as ausências de Wellington Nem e Diego Alves e as confusões envolvendo os dois (houve erros de comunicação na divulgação da lista de pré-convocados, e os jogadores acharam que já estavam garantidos na lista final para os Jogos Olímpicos)
Ninguém tirou ninguém da relação por uma interpretação errada. Todas as questões são técnicas, queremos a Seleção mais forte possível. Temos outros 22 jogadores para falar.
Sobre a conquista da Copa Libertadores 2012 pelo Corinthians
Bom, primeiramente queria repetir o presidente (da CBF, José Maria Marin, que mais cedo havia parabenizado o Timão) e dar parabéns a todos no Corinthians, é sempre bom ver uma equipe conquistar alguma coisa baseado naquilo que todos os treinadores gostam: planejamento, trabalho, seriedade, etc. Trabalhos têm início, meio e fim. Eu fiz parte de um início do Corinthians em um momento difícil, mas agora o Tite tem todos os méritos junto com a sua comissão técnica e os seus jogadores. Não vou falar mais nada para não gerar interpretações erradas, o meu trabalho acabou e o mérito é todo de quem está lá agora.
Sobre uma eventual final de Mundial de Clubes entre Corinthians e Chelsea (ING), e a expectativa de uma partida mais equilibrada do que Santos x Barcelona (ESP) em 2011
Teoricamente o jogo pode ser mais equilibrado, mas não sabemos o que vai acontecer nesses meses, que Corinthians vai jogar, que Chelsea vai jogar a até se esse jogo realmente acontecerá.
Sobre o período de treinos. Alguém será liberado para jogar pelo seu clube no Brasileirão?
A minha intenção é aproveitar o máximo desses jogadores para treinarmos a Seleção Brasileira. A convocação está inserida nas regras que a FIFA estabelece, e tecnicamente eu pretendo aproveitar esses jogadores o máximo possível. Não haverá exceção.
Sobre as seleções mais fortes dos Jogos Olímpicos
Bom, agora as coisas ficam mais claras, o Uruguai escolheu nada menos que Cavani e Suárez para compor a sua linha de ataque, a Grã-Bretanha escolheu Giggs, Bellamy e o lateral do City (Micah Richards)... com essas definições começamos a ter ideia de quem será teoricamente mais qualificado. Mas digo teoricamente porque na hora não podemos saber o que vai acontecer. Podemos citar a Holanda na Euro, chegou com todas as credenciais e não passou da primeira fase. Então vamos esperar para ver se as teorias de confirmam.
Sobre Hulk. O que acrescenta para a Seleção?
Força (risos). Muita capacidade de definição. Um jogador que me convenceu até para termos variações dentro do sistema de jogo mesmo sem trocar nomes. É um jogador que está com muita vontade, buscando uma transferência, então tem muito a acrescentar.
Sobre a queda no ranking da FIFA (a Seleção despencou de 5º para 11º, sua pior colocação desde a criação do ranking, em 1993)
A queda no ranking não reflete o nosso atual momento, diz respeito ao nosso mau desempenho na Copa América. Quando nós jogamos e os europeus não jogaram, não fizemos a nossa parte. Agora, eles jogaram e nós caímos. Mas antes bom futebol, depois o ranking.
Sobre a suposta fragilidade da defesa e os gols sofridos nos últimos amistosos
A questão de sofrer gols é do jogo. Não acho que as situações que aconteceram contra a Argentina se repetirão, até porque não teremos Messi nas Olimpíadas, um jogador que é capaz de pegar a bola no meio de campo, conduzir e finalizar daquela maneira, destruir um sistema defensivo. Tambem jogamos sem o Thiago (Silva) naquele jogo, e eu tenho certeza que melhoraremos com mais treinamento, ajustes de posicionamento e pequenas correções que melhorarão nosso desempenho.
Sobre as declarações de Marin e Bebeto, que afirmaram confiança na Seleção para os Jogos Olímpicos. Esse tipo de afirmação coloca pressão?
Funciona como uma equipe, não dá pra separar por setor. À medida em que você declara apoio você aumenta a pressão, mas não acho que isso seja prejudicial, gosto dessa pressão no ponto certo. Não podemos temer esse tipo de situação, temos que saber conviver com ela, estar na Seleção Brasileira é isso. Mas temos conviccção de que temos um bom grupo, e com esse grupo podemos disputar com seleções no nível da Espanha, por exemplo, mas só saberemos isso mais à frente.
Sobre a própria seleção espanhola, que terá alguns jogadores que acabaram de ser campeões europeus e outros que recentemente foram campeões sub-21
Está entre uma das seleções com os melhores jogadores, e pode ser considerada uma das favoritas sim.
A Seleção Brasileira se apresenta na próxima segunda-feira (9), e terá uma semana de treinos no Rio de Janeiro antes de viajar para a Inglaterra no dia 16. O SAMBAFOOT fará a cobertura completa de toda a movimentação da versão olímpica da Amarelinha.
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