Escrito por Corinthians 14.11.2005
Fim de 2004: o Corinthians decide autorizar a entrada de investidores estrangeiros no seio do clube. Foi assim que chegou o anglo-iraniano Kia Joorabchian, apresentado como sendo o representante de um grupo de investidores chamado MSI - Media Sport Investment.
Nunca o hino do Sport Club Corinthians Paulista foi tão atual. Os primeiros acordes de "Salve o Corinthians", que naturalmente deveriam recepcionar uma equipe repleta de estrelas, assumem agora o seu pior significado. Com os credores à porta, o time da fiel torcida aguarda quem o resgate. Na última semana, a redenção ganhou corpo, passaporte inglês e sotaque russo. Personificada na figura de seu presidente, o iraniano Kia Joorabchian, a Media Sport Investment (MSI) promete injetar uma bolada no timão: US$ 45 milhões, em dez anos. A dúvida é saber quem é o MSI e quem está por trás dele. Até agora, esse grupo de investidores não constituiu uma empresa no Brasil. O que se sabe é que tem sede no conhecido paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe. Outra incógnita é a paternidade do dinheiro. Na semana passada, especulou-se que um dos sócios da MSI seria o magnata russo Boris Berezovski, com negócios na área de mídia e participação na companhia aérea Aeroflot. Hoje, é um refugiado político que vive em Londres e com prisão decretada pelo governo de seu país. A suspeita da presença de Berezovski no fundo de investimento não é à toa. Ele e Joorabchian já estiveram juntos antes, quando compraram a editora Kommersant da Rússia, e residem na mesma cidade. Procurado pela DINHEIRO, Alberto Dualibi, presidente do Corinthians, admite que foi apresentado a Berezovski por Joorabchian. Mas afirma: "Ouvimos dele que não há interesse em participar do negócio".
O MSI chegou ao Corinthians pelas mãos do empresário Renato Duprat, ex-proprietário da Unicor, empresa que já patrocinou o Santos na década de 90 e depois foi à bancarrota. Foi Duprat quem apresentou o fundo de investimento aos mais de 350 conselheiros na reunião da terça-feira 24 no Parque São Jorge, a sede alvinegra, em São Paulo (SP). Ao final do encontro, ficou a impressão de que o presidente Dualibi já havia assinado um pré-contrato com o MSI. "Era apenas uma carta de intenções e o conselho deliberativo a aprovou", defende-se o cartola. De qualquer forma, eles terão que bater o martelo em 30 dias. Eis a proposta do MSI: dos US$ 45 milhões prometidos, US$ 20 milhões serão liberados até o fim deste ano para quitar qualquer cobrança futura. Dualibi diz que o Corinthians não tem dívidas e sim "compromissos a vencer até o fim do ano". Mesmo assim não revela quanto. Outros US$ 15 milhões serão usados exclusivamente para a compra de jogadores e o restante vai custear as despesas da sede social do Timão. O parceiro se responsabilizará também por qualquer déficit nos departamentos de futebol amador e profissional durante o acordo. Em troca de tantas exigências, o MSI ficará com o dinheiro decorrente do contrato de televisão e embolsará patrocínio de camisas e uniformes. DINHEIRO apurou ainda que o fundo ficará com a renda obtida na bilheteria dos jogos.